02/06/2017 10:23

Vice-reitor da UEL fala sobre o bloqueio de R$ 6 milhões da universidade

O reitor em exercício da Universidade Estadual de Londrina (UEL) esteve na Câmara na tarde dessa quinta-feira (01) para falar sobre o bloqueio de R$6 milhões feito pelo governo do Estado à instituição. Deputados estaduais também marcaram presença e até a base aliada se disse surpresa com a medida.

Foto: Flavio Garcia/TV Tarobá

Foto: Flavio Garcia/TV Tarobá

O vice-reitor da UEL começou chamando o governador de mal informado. Segundo Ludoviko Carnasciali, a universidade tem limites previstos em lei para gastar com folha de pagamento e todas as informações já constam no portal da transparência. Por isso, o bloqueio do dinheiro no orçamento da instituição é encarado como uma retaliação, já que a UEL não aderiu ao sistema de gestão de recursos humanos chamado de meta 4.

“São recursos próprios da Universidade, não são recursos do Estado. E o controle que o governo estadual quer não é o controle da gestão. Ficamos muito desanimados porque tivemos a certeza de que se trata de um controle político porque, ao adotar o meta 4, todas as decisões serão tomadas em Curitiba e não mais em Londrina” diz Ludoviko.

De acordo com ele, a suspensão das verbas afeta projetos de graduação, bolsas para indígenas e verbas de custeio “Primeiro, o Restaurante Universitário (RU) será afetado, porque trabalhamos com perecíveis e não temos estoques. Depois, as creches, tanto a do Hospital Universitário quanto a do campus. As aulas práticas de campo também serão prejudicadas, porque os motoristas do ônibus precisam de diária, alimentação e gasolina. Além de toda verba de custeio, desde o papel higiênico, giz, material de higienização de cozinhas, banheiros”.

Não houve comunicado oficial sobre o contingenciamento, os servidores da UEL souberam da suspensão quando tentaram acessar o sistema. Nem a base do governo, na Assembleia Legislativa soube explicar os critérios desses cortes, como relata o deputado estadual Tiago Amaral “Solicitei ao governo do Estado maiores informações sobre este tema, encaminhei diretamente à Secretaria de Ciência e Tecnologia (SETI). Houve realmente um corte? Houve um contingenciamento? Isso é uma situação de dificuldade financeira? Qual o motivo? Isso nos causa estranheza, porque bloquear uma verba como essa é extremamente prejudicial”.

O deputado estadual Tercilio Turini criticou o governo do Paraná pela falta de diálogo “Há alguns anos, o governo estadual já não repassa o custeio básico para as universidades. O governo não tem dado a atenção que as universidades merecem. E os diálogos estão fechados. Temos que chamar a sociedade para rediscutir, porque corremos o risco de perder patrimônios extraordinários e que foram essenciais para o desenvolvimento do Estado”.

Outros debates sobre a gestão acadêmica devem ser convocados para tentar mediar a relação entre governo e universidades estaduais. “O governo do Estado deve vir para Londrina através da SETI pra explicar o que está acontecendo. A UEL vem sofrendo ataques do Estado e a sociedade londrinense precisa discutir e entender sobre o assunto”, fala o vereador Rony Alves.

(Redação com Lívia de Oliveira)